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Montagem de Sistemas de Bombas de Incêndio conforme FM-GLOBAL - DATA SHEET 3-07

Montagem de Sistemas de Bombas de Incêndio conforme FM-GLOBAL - DATA SHEET 3-07


MONTAGEM DE SISTEMA DE BOMBAS DE INCÊNDIO CONFORME FM-GLOBAL - DATA SHEET 3-07

 

 

Ao projetar além de observarmos as Legislações Estadual e Nacional, devemos sempre questionar nosso cliente sobre a necessidade de atender a Normas Internas da Companhia e de suas SEGURADORAS. Em empresas que presam por um alto padrão de Segurança e em caso de cenários cuja Proteção não é bem referenciada na Legislação Brasileira, é comum recorrer a Normas como as NFPA e as da FM Global. Cabe observar que a própria NFPA já estabelece a necessidade de certificação de alguns equipamentos como as bombas e as mais comuns são justamente FM e UL.

Afim de compartilhar alguma experiência, seguem alguns importantes pontos a serem observados ao projetar conjuntos de pressurização para Instalações de Combate a Incêndios conforme exigências da FM Global.

1)     Construção da casa de máquinas:

a)      Deverá ser construída em material incombustível a 15 metros das edificações a serem protegidas, ou anexa a mesma com paredes com 2 TRRF ou ainda com 1 TRRF se as áreas adjacentes a CMI possuírem proteção por sprinklers;

b)     Instale sprinklers em CMI com bomba a diesel instalada;

c)      Atente para a necessidade de caimento e dreno no piso;

d)     Evite instalar válvulas redutoras de pressão. Se for inevitável, instale VRP aprovada pela FM (ver DT 3.11);

e)     Para ventilação ver item 2.8.5 (pág. 24).

2)     Alimentação elétrica:

a)      E necessário a garantia de não interrupção do fornecimento de energia para as bombas, garantia esta que não é dada pelas distribuidoras brasileiras. Fora isto, pode ser técnica ou financeiramente inviável a construção de um cabeamento exclusivo vindo da entrada de energia e sem passar pelos prédios classificados. Recomendo a utilização de bomba a diesel como principal e elétrica só se for reserva.

3)     Reservatórios de Água:

a)      Atente para a necessidade de repor a Reserva de Água de Incêndio em até oito;

b)     Ver DS-3.02, DS-3.03 e DS-3.10.

4)     Bombas:

a)      Instale bombas aprovadas pela FM e certifique-se de que a bomba pode fornecer no mínimo 150% de sua vazão nominal a pelo menos 65% de sua pressão nominal. A pressão total em condições de vazão zero (i.e., operação com vazão nula) de uma bomba certificada pela FM não excederá 140% da pressão nominal;

b)     Para dimensionamento da bomba ver item 2.5 do DS-3-07 (pág. 15);

c)      Para partida e controle da bomba ver item 2.6 do DS-3-07 (pág. 16);

d)     A linha de impulso (ou automação) deverá: ser individual para cada bomba, ligada entre as válvulas de retenção e gaveta da descarga, de material não corrosivo (cobre com conexões de latão ou em aço inox série 300), ter diâmetro interno mínimo de 12,7mm, sem válvulas em sua extensão, possuir duas válvulas de retenção (com um orifício 2,4mm na portinhola) a um metro e meio de distância uma da outra;

e)     O painel deverá possuir monitoramento a distância;

f)       Para tanque de combustível ver item 2.8.4 na pág. 33;

g)      Cada bomba deve possuir seu próprio tanque e linha de suprimento de diesel;

h)     O volume do tanque deve considerar combustível para oito horas de funcionamento, mais 5% para expansão, mais 5% de reserva não utilizável;

i)       O dique de contenção deverá ter além do volume do tanque mais cinco centímetros de borda;

j)       Para teste de aceitação ver item 2.9 (pág. 26);

k)      Ver tabela 4 na página 28.

5)     Montagem do Sistema:

a)      Para bitolas de montagem (colar, sucção, alívio, etc.) ver tabela 01 na página 8;

b)     Testes conforme DT 3.11;

c)      Dimensione a saída de teste para175% da capacidade nominal da bomba;

d)     Os suportes da tubulação devem ser independentes dos suportes (ou base) das bombas;

e)     Instale redução excêntrica na entrada da bomba conforme figura 4 na página 09;

f)       Não instale cotovelos e tês com um plano de eixo central paralelo a uma bomba com a distância entre o flange de sucção da bomba e o cotovelo ou o tê menor que 10 vezes o diâmetro da tubulação de sucção, conforme figura 4 na página 09.

g)      Dimensione a sucção de forma que a velocidade da água não exceda 4,6 m/s quando a bomba estiver operando a 150% da capacidade nominal. Se várias bombas compartilham uma única fonte de sucção, considere a vazão simultânea. (Veja Tabela 2, página 10);

h)     Se for possível suprir algum equipamento sem utilização da bomba instale by pass com o diâmetro da descarga;

i)       Instale a válvula da sucção a no mínimo 16 metros da bomba, preferencialmente na saída do reservatório;

j)       Medidor de vazão: instale válvulas a montante e a jusante da saída com diâmetros respectivamente 10 vezes e cinco vezes o da saída;

k)      Se necessário, instale dispositivo anti-golpe de ariete na descarga da bomba.

6)     Válvula de alívio de pressão:

a)      Projete a montagem de modo a evitar a instalação de válvulas de alívio. Em caso de bomba com motor a diesel, sempre instale V.A. caso a soma de 121% da pressão nominal à vazão nula (sem vazão) com a máxima pressão de sucção estática da bomba excedam a pressão de trabalho nominal de qualquer componente do sistema;

b)     A V.A. Deve ser certificada pela FM. Dimensione o tubo de descarga conforme Tabela 01 e instale-a entre a bomba e a válvula de retenção da descarga da bomba;

c)      Posicione a descarga de maneira que flua para uma tubulação aberta, um cone ou funil fixado à saída da válvula;

d)     Certifique-se de que a descarga de água da válvula de alívio é facilmente vista ou percebida pelo operador de bomba, está bem contida e não derrama água pela sala de bombas. Pode-se utilizar cone do tipo fechado se houver um meio de detectar o fluxo de água por este;

e)     Direcione a tubulação do cone da válvula de alívio para um ponto onde a água possa ser descartada livremente, de preferência na área externa do prédio, ou devolvida ao tanque de sucção da bomba;

*Este ponto é controverso: o descarte de água pela válvula de alívio pode diminuir o tempo de combate e já tive experiência anterior em que no momento da análise do projeto a FM exigiu descarregar de volta no reservatório.

f)       Não conecte a válvula de alívio à tubulação de sucção da bomba ou à tubulação de conexão ao suprimento;

g)      Se a água for obtida de um tanque de sucção ou um reservatório aberto com capacidade limitada, posicione o tubo de descarga da válvula no ponto mais distante possível da entrada de sucção da bomba, para evitar que a bomba puxe o ar introduzido pela descarga da válvula de alívio;

h)     Não instale válvula de bloqueio nas tubulações de entrada ou de descarga da válvula de alívio.

Observe que o texto não destina-se a leigos e por isso omiti as questões mais cotidianas com as quais lidamos em todos os projetos. A ideia foi focar nestes pontos específicos que já minimizam bastante erros de projeto embora não eliminem a necessidade de consultar o data sheet por inteiro, bem como as demais referências nele contidas. Não perca de vista a Legislação vigente que deve ser atendida em concomitância.

Por - Rodrigo Maciel  - Desenhista Projetista de Proteção ContraIncêndio