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Prevenção de Incêndios em laboratórios escolares de ciências

Prevenção de Incêndios em laboratórios escolares de ciências


Introdução

O laboratório é um lugar no qual são realizadas tarefas específicas numa determinada área de conhecimento. Sendo assim, difere de outros locais por ser necessário adotar procedimentos especiais nas atividades que lá se realizam e,
por esta razão, é um local de risco. Os riscos oferecidos por um laboratório químico são devidos a vários fatores, entre os quais podem ser citados a absorção cumulativa, pelo organismo, de pequenas quantidades de substâncias presentes na atmosfera laboratorial (seja por inalação, absorção cutânea ou ingestão), a contaminação em grande escala por acidentes com produtos químicos (explosões, projeção de ácidos, etc.) e a má utilização de materiais de vidro, equipamentos elétricos e outros.
O profissional que exerce funções nestes locais, seja de que natureza forem, deve tomar consciência de que a atividade ali exercida deve ser precedida das orientações necessárias
para diminuir ao máximo a possibilidade de acidentes. Tais orientações são adquiridas, geralmente, através de treinamentos e cursos oferecidos, em sua maioria, pela própria
instituição onde trabalha. Em muitos casos, os cursos superiores fornecem grande parte das informações necessárias para o desempenho seguro destas funções.
Neste contexto, a observância das orientações e das normas de segurança é muito importante, ainda mais se estiverem relacionadas com laboratórios escolares. A compreensão dos riscos decorrentes do manuseio das substâncias e materiais químicos é fundamental para a observação de medidas de prevenção inerentes ao uso seguro do laboratório.
Desta maneira, ao projetar e montar um laboratório, é necessário que toda a sua estrutura atenda aos padrões mínimos de segurança. Isto significa que deve possuir um bom
“lay-out”, um acondicionamento adequado dos reagentes, a instalação correta dos equipamentos, entre outros. Tais fatores, no entanto, por si só, não garantem a prevenção de acidentes. Aliado a isto, é necessário também um conhecimento dos riscos existentes na atividade laboratorial e a observância das regras de segurança recomendadas neste trabalho. Considerando estes aspectos, o objetivo deste trabalho é o de apresentar sugestões para o correto manuseio de produtos químicos, materiais de vidro e equipamentos mais comumente utilizados nos laboratórios de ensino das escolas de 1o e 2o Graus, bem como de comportamentos recomendados para a manutenção de um bom padrão de segurança nas atividades escolares de laboratório. As recomendações são necessárias pois, na maioria dos casos, o professor que utiliza os laboratórios escolares, por
falta de informações mais detalhadas, se preocupa apenas com as orientações referentes à prática que planeja executar, descuidando-se da discussão dos procedimentos mais
adequados para preservar a segurança dos alunos e dos equipamentos, além de, muitas vezes, não se preocupar com as reações secundárias porventura produzidas.
Por outro lado, a ênfase nas medidas de segurança, promove o contato do aluno com os hábitos e as atitudes inerentes ao trabalho em laboratório, itens importantes nos
currículos escolares de Ciências. Os subsídios aqui apresentados destinam-se, pois, a orientar professores e alunos para um uso mais efetivo e correto dos laboratórios escolares de Ciências.

Organização de um Laboratório

  • Pisos, Paredes e Aberturas
  • Instalação de Gás, Água e Eletricidade.
  • Mobiliário
  • Capela

Laboratório organizado.

ASPECTOS IMPORTANTES A CONSIDERAR NA ORGANIZAÇÃO DE UM LABORATÓRIO.
Não há um modelo definido de laboratório. Esse podeapresentar-se das mais diversas formas. Cada professor irá planejar e realizar seu projeto de acordo com as atividades
experimentais e dos recursos disponíveis. Ao projetar um laboratório, devemos primeiramente levar em consideração dois aspectos:
– a sala será construída especialmente;
– já existe uma sala que será adaptada para laboratório.
No primeiro caso, o professor, dentro das condições financeiras da escola, terá maior liberdade para projetá-la, levando em consideração o número de alunos por turma, seu
tamanho, aberturas, iluminação, parte elétrica e hidráulica, etc. No segundo caso, a liberdade na oganização da sala é bem menor. Será preciso adaptar-se às condições já existentes, aos interesses dos professores e da escola. Um terceiro aspecto altamente importante a considerar, neste projeto de construção do laboratório, é definir se a utilização será exclusiva de uma disciplina ou compartilhada, podendo atender alunos da área de Ciências, Química, Física e Biologia.
Pisos, Paredes e Aberturas O piso de cerâmica comum é o mais recomendável pelo baixo custo, facilidade na colocação e limpeza, segurança oferecida, ótima resistência e durabilidade. No entanto, há várias outras alternativas de piso como os de: granilite, madeira (tacos), borracha. É de primordial importância que não haja desníveis ou elevações no piso, a fim de evitar tropeços e possíveis acidentes Outro aspecto importante a considerar quanto ao piso, refere-se à sua constante manutenção e limpeza. Os reparos que se fizerem necessários devem ser feitos sempre o mais breve possível, mantendo-se sempre o bom estado do mesmo. Quanto às paredes internas do laboratório devemos observar aspectos como: facilidade de limpeza, durabilidade, aparência e custo. O mais recomendado é o revestimento com massa corrida pintada com latex fosco e de cor clara. As janelas e portas devem ser amplas e distribuídas de tal forma que permitam uma boa iluminação e arejamento do laboratório. Recomenda-se janelas basculantes por apresentarem
maior segurança e por serem facilmente abertas e fechadas com um só comando de mão. Como medida de segurança as portas devem sempre abrir para o lado de fora e não devem ficar situadas frente a escadas. Recomenda-se por medida de segurança que o laboratório tenha mais de uma porta. Caso não seja possível as janelas devem favorecer a saída de emergência. Neste caso estas não devem ser obstruídas com armários, a fim de proporcionarem uma alternativa para saída de emergência.

Instalação de Gás, Água e Eletricidade

  • Gás

Instalação de gás

O gás poderá ser instalado de diferentes formas. A mais segura é a de um único botijão de gás, instalado fora do prédio, em uma caixa ventilada, porém fechada com cadeado e de
preferência numa área inacessível a alunos, como meio de se obter maior segurança possível. A partir do botijão a instalação deve ser feita através de tubulação de cobre dirigida para os locais onde se encontram os bicos de gás. Outra alternativa, muito usada nos laboratórios de nossas escolas, é o abastecimento de cada bico de gás com botijão pequeno, tipo liquinho, individual para cada grupo de alunos, porém este procedimento é menos seguro que o anterior. Atualmente outra forma muito prática e econômica é o uso de liquinhos com fogareiros, no lugar do bico de gás. Neste caso teremos também botijões pequenos para cada grupo de alunos. No entanto esta opção requer um maior cuidado,
tendo-se sempre que utilizar mangueiras próprias para este fim e atenção para um possível vazamento de gás.

  • Água

Pia lava olhos

Ao planejar-se a instalação de água para o laboratório recomenda-se a utilização de tubulação externa de plástico (padrão de segurança cor verde), que igualmente será dirigida
para os locais previamente escolhidos para a localização das pias e tanques. Estas são indispensáveis para a realização de um grande número de atividades experimentais, bem como para a limpeza do equipamento a ser utilizado no laboratório. Sugerimos a construção de no mínimo duas pias e um tanque, em pontos não muito próximos um do outro, a fim de evitar o congestionamento de alunos durante uma determindada atividade experimental, em que a água se fizer necessária. As pias e tanques podem ser confeccionadas de aço inoxidável, de louça ou revestidas com azulejos.

  • Eletricidade

Instalação elétrica

Os fios de eletricidade devem passar por uma tubulação externa, sendo igualmente dirigidos para as tomadas e interruptores de luz existentes no laboratório. Quanto às fontes de eletricidade, recomenda-se a instalação de tomadas de 110V e 220V sinalizadas com cores, diferentes, por exemplo amarela para 110V e laranja para 220V. Dependendo da distribuição das mesas no laboratório, as tomadas poderão ficar junto a essas mesas ou ao longo dos balcões laterais. É conveniente dispor de uma tomada para cada grupo. Caso isso seja inviável, convém localizar as tomadas em pontos opostos da sala, a fim de evitar a concentração de muitos alunos num mesmo local, durante os trabalhos práticos. A iluminação é condição fundamental para a realização de um bom trabalho, contribuindo para a segurança do laboratório. É recomendável a utilização de lâmpadas do tipo
fluorescente no lugar das lâmpadas incandescentes, pois essas não alteram a temperatura ambiente, pela liberação de calor. Além de fornecerem uma ótima iluminação, não cansam os olhos quando se está trabalhando em algo que requer um olhar fixo por um período mais longo de tempo. O número e a distribuição das lâmpadas no laboratório irá depender do tamanho e formato da sala. Para obter-se uma boa iluminação recomenda-se que a cada 1,5 m seja posicionado um conjunto de duas lâmpadas fluorescentes.
Ainda como forma de obter-se maior segurança no laboratório recomenda-se embutir na parede da sala uma caixa, com registros de água, gás e eletricidade. Esta caixa deve ficar
em local de livre acesso ao professor, sinalizada adequadamente, assim como os registros e tubulações, conforme descrito na tabela .


Tabela: cores-padrão para tubulações em laboratório

Tipo                                        Cor

Água:                                      Verde

Ar:                                           Azul

Gás:                                         Amarelo

Vácuo:                                   Cinza

Vapor:                                   Vermelho

 

Mobiliário

  • Mesas e Cadeiras

Mesas e Cadeiras

Podem ser fixas ou móveis. Tanto uma como o outro apresentam vantagens e desvantagens. Num trabalho experimental os alunos se organizam em grupos, para tanto o mais conveniente são mesas e cadeiras (ou banquetas) soltas, possibilitando seu deslocamento. Essa flexibilidade trás inúmeras vantagens, pois conforme a atividade a ser realizada, há momentos que a disposição das mesas e cadeiras ficam mais funcionais se dispostas perto das
paredes, deixando o centro da sala livre, e noutros momentos sua distribuição por toda sala torna-se mais eficiente. Outra aspecto positivo de haver mesas e cadeiras móveis é a possibilidade de aumentar ou diminuir o número de alunos por grupo, tornando também mais fácil o arranjo dos
alunos em círculo no momento de uma discussão com toda a turma ou no caso de realizar um trabalho mais expositivo.
No entanto, mesas e cadeiras fixas apresentam vantagens como: maior estabilidade e durabilidade, e acima de tudo, permitem instalação elétrica e de gás, permanente. Por outro lado, apresentam a desvantagem de não permitir seu deslocamento em ocasiões em que isso se faz necessário.
A disposição dos móveis irá depender muito das dimensões e formato do laboratório. Podem ficar dispostos lateralmente ou arranjados uniformemente na sala. Esta organização dependerá também, em grande parte, da forma como se encontram distribuídos pela sala as fontes elétricas, de gás, luz e água.
As mesas e cadeiras devem ser resistentes, firmes e fáceis de limpar. Recomenda-se para tanto seu revestimento com fórmica fosca, de cor clara.
Mesa com prateleira abaixo do tampo são muito práticas, pois permitem que o aluno guarde aquele material que não está sendo utilizado no momento, deixando desta forma a mesa o mais livre possível para a realização da atividade experimental.

  • Balcões

Os balcões são peças muito importantes num laboratório, pois podem servir para guardar o equipamento das aulas práticas, colocar materiais à disposição dos alunos, manter expostas montagens por um maior espaço de tempo, ou ainda para análises e pesquisas em geral.
Os balcões podem ser de madeira, alvenaria ou aço.
Qualquer que seja o tipo, irão apresentar vantagens e desvantagens.
Os balcões de madeira são mais econômicos, porém podem ser facilmente atacados por reagentes químicos ou mesmo por cupins. Outro inconveniente é sua deformação em presença de umidade, muito comum num laboratório, vindo a empenar ou mesmo dificultar o movimento de gavetas e portas.
Os balcões de alvenaria são bons para conter equipamentos de vidraria. Para reagentes químicos não são recomendados devido a umidade que os mesmos normalmente apresentam.
O tampo deste tipo de balcão pode ser recoberto com azulejos de cor branca, pintados com tinta plástica ou revestido com material emborrachado, sendo esta ao nosso ver a melhor opção, pois trás maior segurança, na medida que evita quebra de equipamento de vidro, apresentando ainda uma boa resistência a ácidos e álcalis. Outra boa opção é o tampo de madeira revestido com fórmica fosca. A fórmica apresenta a vantagem de facilitar a limpeza, e ser muito resistente ao atacada de produtos químicos, além de evitar modificações, como ondulamentos da madeira. A desvantagem deste tipo de revestimento é a ação do calor, que provoca a soltura da lâmina de fórmica. No entanto, este inconveniente pode ser perfeitamente evitado cuidando-se para não colocar sobre ela aparelhos ou equipamentos que irradiem calor.
Finalmente, os balcões de aço inoxidável, são muito caros, entretanto apresentam vantagens como: maior resistência, facilidade na limpeza e ótima aparência. Para maior funcionalidade, desse tipo de balcão e como forma de
evitar a quebra fácil de materiais de vidro e a reflexão da luz, recomenda-se revestir seu tampo com trilhos de borracha, facilmente encontrado no comércio. Recomenda-se colocar portas de correr nos balcões, a fim de economizar espaço no laboratório. Outro aspecto a considerar é a existência, no interior dos balcões, de prateleiras móveis, isto é, reguláveis de acordo com o tamanho do equipamento a ser utilizado. Torna-se prático também planejar gavetas, de diversos tamanhos, junto aos balcões.

  • Armários

Armários

Dependendo das condições físicas do laboratório,financeiras da escola e mesmo do tipo de equipamento que se tem para guardar, os armários poderão ser dos mais variados tipos e dimensões. Dentre os mais seguros, duráveis e práticos tem-se os armários de aço inoxidável, com prateleiras reguláveis. No entanto, armários de madeira, com portas de correr e prateleiras móveis, revestidas com fórmica são também muito práticos e úteis. Substâncias químicas de risco (venenosas) devem ficar em um armário isolado e fechado à chave. Para uma maior segurança recomenda-se ainda afastar os reagentes sólidos dos líquidos voláteis e ácidos. De preferência, devem ser colocados nas prateleiras mais baixas como medida de maior segurança. É importante também que os armários apresentem aberturas para uma boa ventilação e acima de tudo que suas prateleiras tenham calços de segurança, devido ao peso dos frascos de reagentes.
Esse tipo de armário deve receber limpeza e revisão periódicas, a fim de se manter um bom controle das substâncias químicas aí contidas. Quanto à localização, o ideal é ter os armários em uma sala própria (almoxarifado) anexa ao laboratório, pois oferece maior isolamento e segurança do material.
No entanto, nossa realidade é outra. Dificilmente encontramos à nossa disposição um almoxarifado. Neste caso os armários ficarão distribuídos pela sala do laboratório, da forma mais prática, fechados a chave, a fim de se evitar a perda de material.

  • Quadro Verde e Mural

Estes deverão ser amplos e ficar numa posição que seja facilmente visível por todos os alunos. O ideal é que a própria parede do laboratório sirva de quadro verde. O quadro mural pode ser confeccionado com isopor ou qualquer outro material que permita afixar as comunicações com auxílio de alfinete ou percevejo.

  • Capelas

Capela

A capela é um elemento importante em laboratórios que lidam com substâncias tóxicas ou substâncias que através de reações químicas liberam vapores tóxicos. Portanto, sua construção contribui para uma maior segurança. No entanto, não é considerado um elemento indispensável, podendo ser substituída por outras medidas de segurança, como a de procurar manter o melhor arejamento possível quando se estiver trabalhando com substâncias que liberam vapores ou gases tóxicos. Entretanto, sendo viável, recomenda-se sua construção e uso no laboratório.
As capelas podem ser de vários tipos. Seu tamanho, formato, material e localização irá depender da sua maior ou menor necessidade de uso.
Os materiais mais usados na sua construção são: chapas de aço inoxidável ou alvenaria. As capelas de alvenaria, normalmente tem um revestimento interno de azulejos. Geralmente este tipo de capela encontra-se embutida na própria parede do laboratório. A janela frontal da capela deve ser de vidro móvel, laminado ou temperado, tipo de correr, no sentido vertical, a fim de permitir a visualização de seu interior. Seu revestimento interno poderá ser com fórmica, tinta plástica ou com azulejos. O teto da capela deve ser em forma de pirâmide ou de cone. No seu vértice deve estar localizado o exaustor, que irá lançar para fora do laboratório os vapores aí formados,
devendo ser filtrados antes de serem eliminados ao exterior, para evitar a poluição da atmosfera. Esta saída deve ficar afastada de locais onde se encontre fluxo de pessoas. É importante também que o exaustor seja projetado conforme tiragem da capela.
Recomenda-se ter no interior da capela uma fonte de gás, eletricidade e água, pois há trabalhos que necessitam, por exemplo, de aquecimento de substâncias, condensação de vapores ou agitação mecânica. Se no interior da capela existirem lâmpadas, estas devem ser protegidas por luminárias impermeáveis, inquebráveis e resistentes ao calor. Reações químicas que liberem vapores ou gases tóxicos, devem ser processadas sempre que possível com a janela da capela fechada e o exaustor em funcionamento.
A parte inferior da capela pode ser aproveitada como armário.
Todo o tipo de tomadas e interruptor da capela devem estar localizadas em sua parte externa. A construção de uma capela implica em trabalhos com
produção de materiais tóxicos. Antes de construí-las pense bem se não há possibilidade de alteração ou mesmo substituição das experiências que utilizam produtos tóxicos.

 

Procedimentos recomendados no Laboratório

Um dos objetivos das aulas de laboratório, dentro do contexto do ensino de Ciências, deve ser o de oportunizar aos alunos o exercício prático dos métodos experimentais. Este exercício representa uma forma de obtenção de dados para a compreensão e análise dos fenômenos da natureza e se realiza, a nível escolar, com o conhecimento e a observância de procedimentos básicos destinados, principalmente, a minimizar os riscos e a trabalhar com os métodos e equipamentos mais adequados para cada situação. Para o aluno é fundamental perceber a necessidade de posturas características deste ambiente de trabalho. O laboratório da escola deve ser visto pelo aluno como um local de estudo com diferentes características das da sala de aula e onde, pela sua natureza, crescem as possibilidades de acidentes.
Para evitar acidentes, ao entrar em um laboratório, ao aluno deve ser colocada a necessidade da observância de normas e procedimentos para sua segurança e de seus colegas. Por serem muito simples, estas regras de segurança são, por vezes, consideradas pouco importantes e desprezadas no dia-a-dia do laboratório. Por isto cabe ao professor lembrar, no início de cada atividade, as regras de segurança necessárias, além de observar o seu cumprimento por parte dos alunos. Um trabalho seguro no laboratório escolar requer, além de outros, a observância dos procedimentos destacados abaixo.

  • Comportamento Individual

Comportamento Individual

É recomendável que nenhuma prática laboratorial seja efetuada sem o uso do guarda-pó, pois o aluno jamais estará livre de ser atingido por substâncias tóxicas e/ou corrosivas.
Mesmo que ele proceda com a máxima cautela, pode ser atingido por uma substancia química originada de um descuido de um colega, ou por produtos de reações indesejáveis.
Para uma proteção adequada, o guarda-pó deve ser, de preferencia branco, tipo 3⁄4, manga longa. Desta maneira, ter-se-á uma proteção integral das partes do corpo suscetíveis de sofrerem danos por acidentes. Além disto, o guarda-pó (também chamado avental) deve ser confeccionado em algodão, pois os tecidos sintéticos são facilmente inflamáveis.
Os alunos que possuírem cabelos compridos devem mantê-los presos para protegê-los de vapores tóxicos, produtos de reações violentas e do fogo. É também necessário conhecer muito bem as saídas de emergência, a posição dos extintores, a caixa de primeiros socorros, o chuveiro de emergência e demais equipamentos de proteção coletiva.
O ideal é que conheçamos tão bem o nosso laboratório que, em caso de ficarmos no escuro ou impedidos de abrir os olhos (por exemplo, quando um líquido agressivo atinge os olhos) ou com a visão comprometida, mesmo assim, tateando, podemos encontrar rapidamente o que necessitamos para providenciar as ações de emergência. Antes de sair, ao final de um dia de trabalho, a última pessoa deve certificar-se que todos os aparelhos estejam desligados, que torneiras (água, gás) estejam fechadas, que as janelas estejam fechadas, as cortinas estejam cerradas, as luzes apagadas, etc. É uma questão de princípio: contribuir para o bem comum!
Como regras mínimas de comportamento, adotar os seguintes aconselhamentos:

• ter sempre presente que o laboratório é um lugar detrabalho sério; conseqüentemente, toda e qualquer brincadeira é expressamente proibida;
• prepare-se para qualquer experiência, lendo as orientações antes de ir para o laboratório; siga as instruções rigorosa e inteligentemente, anotando com cuidado todas as precauções a tomar;
• realizar somente as experiências após sua discussão com o professor e com os colegas;
• ao observar o cheiro de uma substância não coloque o rosto diretamente sobre o frasco que a contém; abane com a mão por cima do frasco aberto, e desloque na sua direção uma
pequena quantidade de vapor para cheirar;
• dar tempo suficiente para que um vidro quente se arrefeça;
coloque-o sobre uma tela de amianto, isto pode ser considerada uma indicação que o material está aquecido; lembre-se que um vidro quente tem a mesma aparência de um vidro frio;
• considere todos os produtos químicos como perigosos, verificar o procedimento para manuseio e descarte, toxidez e incompatibilidade dos produtos químicos a serem usados;
• basicamente todos produtos químicos são tóxicos, portanto evite contato ou exposição desnecessários;
• verificar cuidadosamente o rótulo do frasco que contém um dado reagente, antes de tirar dele qualquer porção do seu conteúdo; leia o rótulo duas vezes para se certificar de que tem o frasco certo;
• as porções de reagentes que não forem usadas nunca devem voltar para o frasco de onde forem retiradas; nunca se deve introduzir qualquer objeto no frasco de um reagente
exceção feita para o conta-gotas com o qual ele possa estar equipado;
• nunca pipete nenhum produto químico, fazendo sucção com a boca, diretamente: para isso existem pêras de borracha, pipetas automáticas e seringas descartáveis; não vale a pena o risco – você não tem nenhuma garantia da limpeza da extremidade da pipeta e do caráter “inofensivo” do produto químico; trabalhe sempre com avental abotoado, comprido, de mangas longas e de material de difícil inflamabilidade;
• acostume-se a usar, no laboratório, um calçado simples,

• fechado, de couro ou similar, de salto baixo e sola pouco escorregadia ou antiderrapante;
•acostume-se a usar, no laboratório, roupas simples, de material de difícil inflamabilidade; o ideal é ter uma roupa de laboratório, que não volte para casa e seja lavada separadamente;
• óculos de segurança são altamente recomendados no laboratório, especialmente onde o uso é obrigatório; sempre que houver riscos potenciais, usar e fazer com que as demais pessoas usem;
• armários de roupas, no laboratório, deve conter apenas as suas roupas e objetos de uso pessoal: nunca coloque materiais de laboratório nestes armários;
• nunca leve as mãos aos olhos e à boca, quando estiver no laboratório – suas mãos estarão contaminadas e poderá haver danos perceptíveis e imperceptíveis;
• lave cuidadosamente as mãos, com bastante água e sabão, antes de qualquer refeição. Adquira o hábito de lavar as mãos, em água corrente, várias vezes, durante o trabalho de
laboratório;
• é vetada a colocação de qualquer tipo de alimento sobre as bancadas, em armários e em geladeiras de laboratório;
• nunca utilize vidraria de laboratório (bequer, erlenmeyer) como utensílio doméstico (copo, reservatório) – o risco é evidente;
• é vetado o hábito de alimentar-se durante o trabalho de laboratório;
• evite o uso de lentes de contato: os produtos químicos (vapores) podem danificá-la, causando graves lesões nos olhos;
• não se exponha a radiações (UV-Ultravioleta, MO- ?, IV-Infravermelho) sem proteção adequada;
• feche todas as gavetas e portas dos armários que abrir;
• desenvolva o hábito da limpeza e da organização, base de toda a política de segurança de laboratório;
• cuidado com pisos escorregadios: às vezes é preferível deixar de encerar o piso como garantia de impedir escorregões em escadas e corredores;
• mantenha as bancadas sempre limpas e livres de materiais estranhos e não pertencentes ao trabalho a ser desenvolvido;
• mantenha uma boa ventilação na área de trabalho, bem como uma iluminação adequada (consulte especialista no assunto, se for o caso);
• faça uma limpeza prévia, com água, ao esvaziar um frasco de reagente, antes de colocá-lo junto com o material a ser lavado pelo laboratorista – você ainda sabe o que continha, ele não;
• rotule imediatamente qualquer reagente ou solução preparados e as amostras coletadas; rapidamente você poderá não saber mais o que é o quê;
• todos os frascos e recipientes devem permanecer tampados ou arrolhados;
• não coloque recipientes pesados ou contendo líquidos inflamáveis a um nível superior ao da cabeça ou em locais de difícil acesso;
• nunca deixe desatendidos bicos de gás ou maçaricos;
• nunca deixe bombas de vácuo e trompas d’água ligadas durante a noite;
• retire os materiais, amostras e reagentes, bem como equipamentos e aparelhos, da bancada de trabalho tão logo terminar a tarefa (o próximo colega deve encontrar a
bancada em ordem para o seu trabalho!);
• não deixe material acumulado na pia: em caso de acidente, por exemplo, pode-se precisar da pia para lavar os olhos ou as mãos, rapidamente;
• papéis e resíduos utilizados devem ser colocados no recipiente de coleta de lixo comum, somente quando não apresentarem risco;
• atente para o estado de conservação dos utensílios de laboratório, como pinças, espátulas, suportes, mufas, etc.;
• nunca realize tarefa com risco, por exemplo, sentado os movimentos ficam tolhidos;
• toda evaporação de solventes, e, mesmo toda a operação de aquecimento, deve ser conduzida em capelas (aerodispersóides1 são inalados imperceptivelmente!);
• limpe imediatamente todo e qualquer derramamento de produtos químicos; proteja-se, se necessário, para realizar esta atividade; derivados de petróleo podem ser embebidos
em estopa, que deve ser descartada em recipiente adequado para tal (material inflamável); ácidos e bases fortes devem ser neutralizados (com vermiculite2, calcário, serragem, areia seca, etc.) antes de serem removidos;
• em caso de dúvida quanto à toxicidade do produto, consulte o orientador dos trabalhos e/ou proceda como se fosse de máxima toxicidade no seu manuseio;
• em geral, se ocorrer um derramamento de líquidos inflamáveis, produtos tóxicos ou corrosivos, proceda da seguinte maneira:
– interrompa o trabalho;
– advirta as pessoas próximas ao local sobre o ocorrido;
– solicite ou realize a limpeza imediatamente;
Solução coloidal em que a fase dispersora é gasosa e a fase dispersa é sólida ou líquida(tinta, inseticida, desodorante).
Vermiculite pertence a um grupo de minerais micáceos, silicatos hidratados de composição variada, originados pela alteração das micas; ao serem aquecidos perdem água, intumescendo e tomando o aspecto de um verme, sendo muito usado como refratários e material de construção com fim especial.
– alerte seu chefe ou orientador, responsável pelo setor;
– solicite e corrija a causa do problema;
• evite trabalho perigoso quando trabalhar sozinho e deixe as portas abertas para indicar sua presença • se tiver, excepcionalmente, que realizar tarefa a noite ou em fim-de-semana, ou deixar uma experiência em decurso, fora do horário de trabalho, nunca esqueça de solicitar a permissão e de notificar outras pessoas.

  • Comportamento Coletivo

Comportamento Coletivo

Como já foi dito, o laboratório é o lugar da escola que apresenta, potencialmente, os maiores riscos. Por isto são desaconselháveis brincadeiras de qualquer natureza, e é exigida a máxima atenção dos alunos durante a realização das atividades. O professor deve evitar a displicência e a falta de atenção e agir com o máximo rigor. Isto evita acidentes por vezes graves.

  • Realização do Procedimento

Nenhum experimento deve ser feito sem o prévio conhecimento das condições seguras para sua realização. Além disto, toda a atividade, por mais simples que seja, deve ser previamente discutida com o grupo de alunos e destacados os riscos e os procedimentos seguros para o êxito do experimento.
A aula prática com os alunos deve ser antecedida pela execução, por parte do professor, de todos os testes possíveis para garantir as condições de segurança, incluindo-se o conhecimento dos produtos secundários passíveis de serem produzidos e a toxidez dos produtos manipulados.
Por outro lado, a discussão de normas de segurança são também necessárias antes da execução de atividades práticas elaboradas pelos alunos.

O material de Laboratório e sua utilização segura

Os materiais mais usados nos laboratórios escolares de 1° e 2° graus compreendem, principalmente, vidrarias, materiais de porcelana e metálicos (pinças, bicos de gás, etc.), equipamentos elétricos (fornos, estufas, mantas, etc.) e outros. Sua utilização segura requer alguns cuidados e condições adequadas de manuseio.

  • Vidrarias

Vidrarias

O uso de materiais de vidro deve ser feito com cuidado, evitando-se os que estiverem danificados. Seu uso exporá o aluno a riscos desnecessários, além da possibilidade de ocorrerem alterações nos resultados da experiência. Toda vidraria fora das condições de uso deve ser, o quanto antes, remetida para conserto. As vidrarias com danos irreparáveis devem ser descartadas e acondicionadas em lugares especiais.

Aquecimento e Resfriamento
Qualquer aquecimento que envolva recipientes de vidro não deve ser feito diretamente, exceto aqueles do tipo “Pyrex”. Usa-se, no mínimo, uma tela de amianto, no caso da fonte de calor ser uma chama de combustão. No aquecimento por equipamentos elétricos, a segurança é maior, pois todos os que são fabricados para este fim têm suas fontes de calor (resistência) isoladas do meio externo.
O aquecimento, seja de que fonte for, deve ser feito lentamente e o mais homogêneo possível. Aquecimentos rápidos e localizados podem causar ebulições bruscas, resultando na projeção das substâncias sob aquecimento ou até mesmo na quebra da vidraria utilizada. Esta ebulição brusca com quebra do material é bastante comum no aquecimento de tubos de ensaio, devido a pequena quantidade de material utilizado. Uma medida de precaução é manter a boca do tubo de ensaio dirigida sempre para um local onde não haja ninguém e procurando aquecê-lo homogênea e lentamente, agitando-o durante o aquecimento. Assim como no aquecimento, todo o resfriamento deve ser lento, pois um resfriamento brusco pode, também, provocar a quebra do material.
Por outro lado é recomendável que, após aquecimento a altas temperaturas, o recipiente não seja colocado a esmo sobre o balcão de trabalho, pois outro aluno, sem saber que está quente, poderá pegá-lo e sofrer queimaduras graves (vidro quente tem a mesma aparência de vidro frio). Para evitar isto, pode-se, por exemplo, deixar um aviso contendo estas informações, ou ainda reservar um lugar específico só para materiais a altas temperaturas.

Regras Básicas de Manuseio

Os béqueres e frascos em geral, quando cheios, devem ser segurados pelas laterais ou pelo fundo, nunca pela parte superior, pois as bordas dos copos de béquer ou gargalos dos frascos podem quebrar com facilidade se utilizados como ponto de apoio. Deve ser evitado o uso de frascos para conter reagentes que ataquem quimicamente o vidro, como por exemplo ácido fluorídrico, ácido fosfórico a quente e álcalis concentrados. Nestes casos, deve-se fazer uso de frascos plásticos ou frascos de vidro cobertos internamente por uma camada de parafina. Recipientes onde estejam sendo realizadas reações químicas jamais devem ser olhados diretamente na vertical, pois a reação pode ser violenta, com a possibilidade de projeções para fora do frasco. Durante a montagem da aparelhagem para uma experiência, onde se faça necessária a fixação de vidraria por materiais metálicos (pinças e agarradores), é aconselhável evitar o contato direto metal-vidro. Uma maneira de contornar este problema é colocar um pequeno fragmento de borracha (ou material semelhante) entre os pontos de contato. Também deve ser evitada a utilização de força excessiva na fixação da vidraria. A não-observância destes cuidados pode levar, facilmente, à quebra do material de vidro.

  • Material de porcelana

O material de porcelana diferencia-se do material de vidro, basicamente, por suportar temperaturas mais altas. Todos os cuidados anteriormente citados quanto ao uso e manuseio de materiais de vidro podem ser aplicados aos materiais de porcelana.

  • Aparelhos elétricos

Antes de ligar qualquer aparelho elétrico, deve-se ter certeza de estar usando a voltagem adequada. Para evitar problemas, é necessário que todas as tomadas estejam
identificadas com as voltagens, em locais visíveis, por exemplo, sinalizadas com as cores amarelo para 110V e laranja para 220V.
É recomendável que os aparelhos elétricos só funcionem quando em uso. Não deixe aparelhos elétricos ligados na ausência de pessoal de laboratório. Além disto, é necessário que haja um fio terra próximo à tomada e que os equipamentos elétricos só sejam usados dentro de suas especificações. Certifique-se que fios, plugues, tomadas, contatos estão em prefeitas condições. Não instale ou opere aparelhos elétricos próximo a superfícies úmidas ou de produtos químicos inflamáveis ou corrosivos. Em caso de
incêndio nestes equipamentos, utilize extintor de CO2, nunca de água pressurizada.

  • Uso de chama em Laboratório

Chama

De preferência, só use chama aberta naqueles laboratórios liberados para isso e, somente na capela. Jamais acender chamas em laboratórios em que existam gases e líquidos inflamáveis. Não acenda, então, o bico de Bunsen sem antes verificar e eliminar os seguintes problemas:
• ajuste da entrada de ar na base;
• vazamento de gás;
• dobras na tubulação flexível do gás;
• ajuste inadequado entre a tubulação de gás e suas conexões;
• Não acenda maçaricos, bico de Bunsen, etc., com a válvula do gás combustível muito aberta; use o mínimo, quando não houver um “monitor” ou chama monitora;
Se a utilização do bico de gás é necessária, observe os seguintes cuidados:
• nunca esqueça solventes inflamáveis, mesmo em quantidades pequenas, próximo de uma chama;
• não transferir ou verter líquidos inflamáveis de um recipiente para outro nas proximidades de uma chama;
• evitar a utilização de dissulfeto de carbono (CS2), que é altamente inflamável;
• jamais aqueça solventes, inflamáveis ou não, em sistema fechado, pois o aumento da pressão interna, causado pelo aquecimento, pode levar à explosão da aparelhagem e a
ignição de seu conteúdo;
• a destilação de líquidos inflamáveis altamente voláteis (especialmente de éter) deve ser feita com manta elétrica ou, na sua ausência, com água quente. A saída lateral da alonga ou frasco receptor deve estar conectado com um tubo de borracha longo que se estenda para longe de fontes de calor;
• verifique a localização dos extintores de incêndio e informe-se acerca de sua operação.

Manipulação de Líquidos Inflamáveis e Combustíveis
Líquidos inflamáveis são aqueles que apresentam ponto de fulgor3 abaixo de 70 oC.
Dividem-se em duas classes, de acordo com esta propriedade física:
Tabela 1: classificação dos líquidos inflamáveis
Propriedade                 Classe I                Classe II

Ponto de Fulgor           até 37,7°C            de 37,7 a 70°C
Líquidos Combustíveis (Classe III) apresentam ponto de fulgor acima de 70 oC; quando aquecidos à temperaturas superiores ao seu ponto de fulgor, comportam-se, então, como líquidos inflamáveis. É a temperatura mínima na qual os corpos combustíveis começam a desprender vapores que se incendeiam em contato com uma fonte externa de calor; entretanto a chama não se mantém devido a insuficiência da
quantidade de vapores.


Tabela 2: líquidos inflamáveis comumente usados em laboratório


Líquidos                   P. Fulgor                        Líquidos                          P. Fulgor
Inflamáveis                    [°C]                               inflamáveis                          [°C]

Acetato de Etila               -4,4                              Cicloexano                            -20
Acetato de Metila             -9                               1,2 Dicloroetano                   13
Acetona                               -38                              Éter Etílico                             -45
Álcool Etílico                      12                               Éter de Petróleo                  -30
Álcool  Isopropílico          12                               Dissulfeto de carbono      -30
Álcool Metílico                  23                               Hexano                                   23
Benzeno                              11                                Trietilamina                          -7

Na manipulação destes líquidos, adote alguns cuidados básicos:
• não manipule líquidos inflamáveis sem certificar-se da inexistência de fontes de ignição nas proximidades;
• use a capela para trabalhos com líquidos inflamáveis que envolvam aquecimento (a ser feito em manta elétrica);
• use protetor facial e luvas de couro quando tiver que agitar frascos fechados contendo líquidos e/ou produtos voláteis;
• não jogue na pia líquidos inflamáveis e/ou voláteis; estoque-os em recipientes de despejo previstos para isto, e adequadamente rotulados;
• guarde frascos contendo líquidos inflamáveis e/ou voláteis, especialmente nos dias quentes de verão, em geladeiras apropriadas (à prova de explosão).

  • Manipulação de produtos tóxicos

Tóxico

A manipulação de produtos tóxicos, em laboratório escolar, deve ser evitado. Mas sendo inevitável, deve ser feita com elevado grau de segurança, desde que se reconheça a
toxidade do produto e o grau de risco envolvido em sua manipulação.
Para isto alguns cuidados são essenciais:
• Teste todas as conexões e válvulas do sistema, com solução de sabão (ou aparelho adequado), para verificar a presença de eventuais vazamentos, ao iniciar a operação;
• não manipule produtos tóxicos sem se certificar da toxidade de cada um deles e dos mecanismos de intoxicação;
• apesar de muitas vezes o odor constituir-se como característica própria de uma determinada substância, evite aspirar vapores, pois muitos compostos são extremamente
irritantes, quando não tóxicos;
• trabalhe com produtos tóxicos, somente, na capela;
• ao transferir ou manejar solventes voláteis ou substâncias que desprendem vapores tóxicos ou corrosivos, utilize uma capela com tiragem boa ou então um local bem ventilado.
Nas reações onde ocorre desprendimento de vapores ou gases corrosivos, providenciar a instalação de um “trap”4 eficiente;
• não jogue produto tóxico na pia;
Recepiente, em geral de vidro, utilizado para coletar fluídos emanados de um sistema reacional, evitando a contaminação de equipamentos e do ambiente. A tradução literal é “armadilha”.
• evite o contato de produtos tóxicos com a pele; não permitir que reagentes e solventes entrem desnecessariamente em contato com a sua pele e, em caso de contaminação , lavar a parte afetada com água e sabão. Não utilizar nesta lavagem, solventes orgânicos, tais como acetona ou álcool, pois estes somente irão aumentar a absorção do contaminante através da pele. A transferência de sólidos deve ser efetuada com o auxílio de espátulas, líquidos devem ser transferidos com o auxilio de provetas ou pipetas;
• cuidar para que um líquido, ao ser vertido do frasco que o contém, não escorra sobre o respectivo rótulo, danificando-o;

• qualquer sintoma de mal-estar, interrompa o trabalho, imediatamente, e avise seu chefe ou orientador, acompanhado, então, dirija-se ao socorro médico, com a ficha do produto manuseado.


Deve-se evitar respirar até mesmo pequenas concentrações destes gases e vapores, visto que muitos deles tem efeito direto sobre o sistema nervoso central, o fígado e os rins, mesmo que sintomas agudos dos envenenamentos não sejam observados quando da exposição. O metanol e o brometo de metila atacam irreversivelmente o nervo ótico, o benzeno é um veneno cumulativo que ataca a medula cerebral e o tetracloreto de carbono é extremamente tóxico para o fígado. Estes devem, sempre que possível, ser substituídos por etanol, tolueno e hexacloroetano respectivamente.
O monóxido de carbono, o ácido cianídrico e o ácido sulfídrico são fatais se inalados em pequenas concentração. Especialmente perigosos são o monóxido de carbono por ser
inodoro, e o ácido cianídrico, com seu odor que lembra o de amêndoas. Por outro lado, ninguém parece ter dificuldade em detectar o ácido sulfídrico, mas este gás, em concentração alta, inibe o olfato e pode-se receber uma dose letal muito rapidamente e com pouco aviso. A inalação de ácido nitroso (ou dióxido de nitrogênio e tetróxido de nitrogênio) não produz sintomas imediatos de envenenamento mas acarreta danos severos aos pulmões, resultando em congestão e acúmulo de fluído dentro de cinco a quarenta e oito horas após exposição.
Vapor de mercúrio e poeira de chumbo e sílica são venenos que se acumulam no corpo e causam doenças crônicas se inalados em baixa concentração por longo período de tempo. Estes produtos devem ser manuseados em capelas, e no caso da sílica e do chumbo, uma máscara com filtros deve ser usada também. Em caso de derramamento de mercúrio, deve-se aspirá-lo com um tubo de vidro de ponta fina conectado a uma bomba de vácuo através de um “trap”, no qual o metal será recolhido. Caso seja impossível a retirada de mercúrio por aspiração (mercúrio preso em pequenas rachaduras e frestas de difícil acesso) costuma-se espalhar enxofre em pó. As minúsculas gotas de mercúrio aderem ao enxofre e podem, então, serem facilmente removidos varrendo-se o enxofre espalhado. Após um certo tempo o enxofre reagirá com o mercúrio que possa ter permanecido nas rachaduras e frestas, formando o sulfeto, que é inócuo.
Alguns     produtos     químicos    são    conhecidos cancerígenos, isto é, substâncias que produzem ou predispõem ao desenvolvimento de câncer. Estas substâncias não devem ser manuseadas, ou se necessário com extremo cuidado. Os cancerígenos mais conhecidos são beta-naftol, alfa-e outros naftilamina, benzeno, 3,4-benzopireno
hidrocarbonetos de estrutura similar. Recentemente, os compostos alifáticos e aromáticos que contém o grupo nitroso e as nitrosoaminas foram adicionados a esta categoria. O vapor da mistura sulfocrômica (usada no desengorduramento de vidrarias) é também considerado cancerígeno, por isso o recipiente que a contém deverá estar  propriadamente tampado.

  • Manipulação de produtos corrosivos

Líquidos corrosivos podem ocasionar queimaduras de alto grau em virtude da ação química sobre os tecidos vivos. Quando em contato com a matéria orgânica e/ou determinados produtos químicos, podem dar origem a incêndios (por exemplo, o ácido sulfúrico e dicromato de potássio). Estão incluídos nesta categoria as bases e ácidos fortes, alguns agentes fortemente oxidantes mas poucos sais.


Tabela 4: líquidos corrosivos comumente usados em laboratório químico.


Ácido bromídrico concentrado
Ácido cloroacético
Ácido fluorídrico concentrado
Ácido fórmico concentrado
Ácido iodídrico concentrado
Ácido nítrico concentrado
Ácido perclórico concentrado
Mistura sulfocrômica
Ácido sulfúrico concentrado
Bromo
Cloreto de acetila concentrado
Cloreto de Estanho
Fenol
Hidróxido de sódio (e de potássio)
Oxicloreto e Tricloreto de fósforo
Água oxigenada
Peróxido de sódio

Por isto, seu manuseio deve ser cuidadoso:

• Só manipule produtos corrosivos usando óculos de segurança e luvas de PVC- Cloreto de polivinila;
• Não jogue produtos corrosivos concentrados na pia; só podem ser descartados depois de neutralizados e diluidos, convenientemente;
• Tome os seguintes cuidados pra diluir produtos corrosivos:
– utilize sempre a capela;
– verta o diluido no diluente e nunca o contrário;
– faça a diluição lentamente, em proporção mínima de 1:1000;
– use bastão de vidro para a homogeinização;
– tenha um pano úmido sempre à mão, durante tais operações; em caso de pequenos derramamentos, pode-se fazer a limpeza e absorção num único movimento.

  • Manipulação de produtos especiais  (Peróxidos, Percloratos, Cloratos, Nitratos, etc.)

Peróxidos pertencem a uma classe especial de produdos químicos, com elevado potencial de periculosidade e problemas de estabilidade muito particulares. São classificados entre os produtos mais perigosos. Alguns peróxidos manipulados em laboratórios especiais são mais sensíveis ao choque do que o TNT-Trinitro tolueno.
Outros produtos, como os cloratos, percloratos e nitratos, também têm comportamento perigoso face a impactos, exposição à luz e centelhas elétricas.
Tabela 5: produtos com risco de explosão usados em laboratório químico Perclorato de Prata, Peróxido de benzoíla, Peridrol (H2O2), Peróxido de sódio.

 


Alguns produtos formam peróxidos com facilidade; requerem cuidados especiais para a sua manipulação e seu armazenamento.
Tabela 6: produtos que formam peróxidos com facilidade
Acetato de vinila                          Cumeno
Aldeidos (Tetraidrofurano !)    Decalina e Tretalina
Cetonas cíclicas                            Éter etílico e isopropílico
Cicloexano                                      p-Dioxano
Cicloocteno                                    Cloridrato de vinilideno

Observe na sua manipulação alguns cuidados:
• Não use espátula de metal para manipular peróxidos;
• Não retorne ao frasco original qualquer quantidade de peróxido ou compostos formadores de peróxidos, não utilizado;
• não jogue peróxidos puros na pia; devem ser altamente diluídos, e descartados adequadamente;
• não resfrie soluções com peróxido abaixo da temperatura de congelamento dos mesmos; na forma cristalina, são mais sensíveis ao choque;
• absorva imediatamente, com vermiculite, soluções de peróxidos derramadas.

  • Manipulação de produtos pirofóricos

Produtos pirofóricos são aqueles que, em condições ambiente normais (atmosfera, temperatura e umidade), reagem violentamente com o oxigênio do ar ou com a umidade
existente, gerando calor, gases inflamáveis e fogo. Dentre estes, podem ser citados os metais alcalinos e alguns derivados organometálicos.

Tabela 7: produtos pirofóricos usados em laboratório químico


Butil-lítio                                             Cloreto de dietil-alumínio
Dietil-zinco                                          Hidreto de diisobutil-alumínio
Potássio                                               Sesquicloreto de etil-alumínio
Trietil-alumínio                                 Triisobutil-alumínio
Dicloreto de etil alumínio              Sódio
Lítio                                                      Trimetil-alumínio

Cuidados:
A manipulação destes produtos requer cuidados especiais, de acordo com o seu estado físico:
Sólidos:
• Dos exemplos citados acima, lítio, sódio e potássio, são sólidos; devem ser anipulados sob um líquido inerte, geralmente querosene; exposições prolongadas ao ar podem
levar à ignição expontânea;
• não jogue aparas de metais alcalinos na pia; podem explodir e provocar incêndios;
• conserve os produtos pirofóricos sólidos longe de solventes inflamáveis afim de evitar propagação do fogo;
• descarte aparas de metais alcalinos vertendo-as, aos poucos, em metanos, etanos ou propanol (secos).
Líquidos:
• Os derivados organo-metálicos citados acima são líquidos, com exceção do Butil-lítio; são acondicionados em recipientes metálicos, munidos de uma válvula. A manipulação destes produtos só deve ser feita sob a orientação de especialista;
• nunca se deve abrir a válvula para a atmosfera; os recipientes só devem ser abertos para atmosfera de gás inerte seco ou em câmara especial;
• a transferência destes produtos diretamente sob o solvente da reação, diminui o perigo de incêndio; diluídos, tornam- se menos inflamáveis;
• nunca utilize água para apagar incêndio desta natureza; use extintor de pó químico seco ou areia seca.

A estocagem, manuseio e descarte dos produtos químicos

A estocagem e o manuseio dos produtos químicos são os itens que mais exigem cuidado e precaução, pois, num laboratório, é manipulada e estocada uma grande variedade de substâncias químicas, com as mais diferentes propriedades físicas e químicas. Surge então, a necessidade da adoção de uma sistemática que proporcione condições para minimizar os riscos. Para isto deve-se conhecer a interação entre os produtos químicos, seus comportamentos em diferentes condições (temperatura, umidade, incidência direta de luz solar), e sua toxicidade.
Quando as propriedades físicas e químicas dos produtos armazenados no laboratório são ignoradas, os riscos podem aumentar de tal forma que acidentes como explosões,
emissões de gases tóxicos, incêndios, tornam-se inevitáveis.

  • Capela de exaustão

Quando se trabalha com substâncias voláteis (baixa temperatura de vaporização) ou com reações que desprendam produtos gasosos, faz-se necessário o uso de uma capela de
exaustão.Esta é um artefato que impede que os vapores de qualquer substância espalhem-se pelo laboratório, pois quando se trabalha em seu interior, estes são sugados por um exaustor localizado na parte superior da capela.

  • Classificações quanto a periculosidade

Quanto ao risco que apresentam, os reagentes mais comuns, encontrados em escolas de 1o e 2o graus, podem ser classificados em quatro grupos:

a) INFLAMÁVEIS
São substâncias que facilmente entram em combustão (“pegam fogo”), e por isso podem facilmente propagar ou provocar incêndios. Como exemplos mais comuns podem ser
citados o metanol, o etanol, a acetona, e o éter. Devem ser mantidos longe de bicos de gás acesos, chispas e outras fontes de alta temperatura.
b) CORROSIVOS
Estes produtos são classificados segundo a intensidade da destruição de pele intacta e sadia provocada em um tempo determinado. Em geral, estes produtos atacam o recipiente que os contém. Alguns são voláteis e reagem violentamente com a umidade do meio.
Deve-se evitar o contato com os olhos, pele e roupa. Os recipientes que contém estes produtos devem ser manipulados com cuidado, estarem sempre bem fechados e acondicionados em lugares arejados para evitar a acumulação de vapores. As substâncias corrosivas mais comuns são o ácido nítrico, o ácido clorídrico, o ácido sulfúrico, o ácido fosfórico, o hidróxido de potássio, o hidróxido de sódio, a água oxigenada.
c) TÓXICOS
São substâncias que, por inalação, contato direto ou qualquer outro meio de absorção, podem causar danos graves para a saúde, seja numa única absorção, em absorções repetidas ou por duração prolongada. Deve-se evitar o contato com qualquer parte do corpo. As especificações de segurança individual de cada produto devem ser seguidas rigorosamente, pois os produtos apresentam toxicidades diferentes.
Os exemplos mais comuns são o metanol, o benzeno, o ácido sulfúrico, os cianetos, os óxidos de nitrogênio.

d) CANCERÍGENOS
São substâncias químicas que podem conduzir ou predispor o organismo a desenvolver algum tipo de câncer. Preferencialmente devem ser substituídas por similares ou manuseadas com o máximo cuidado. A maioria destas substâncias possuem efeito cumulativo, podendo apresentar problemas após anos de exposição.
Alguns cancerígenos bastante comuns são o benzeno, o xileno, o tolueno e alguns de seus derivados. Para evitar maiores problemas, é indispensável a leitura do rótulo de cada produto químico pois nele constam as principais características da substância a ser utilizada. Além disto, o descarte destes produtos pela pia do laboratório pode trazer sérios prejuízos.

  • Produtos químicos incompatíveis

Ao acondicionar produtos químicos, deve-se observar cuidados quanto à sua incompatibilidade. A não observância deste aspecto pode provocar reações explosivas, que geram produtos tóxicos, incêndios ou contaminações no ambiente do laboratório.
O quadro a seguir apresenta as incompatibilidades entre os principais produtos usados nos laboratórios escolares. Sua observância no armazenamento de produtos químicos é
fundamental para a segurança do laboratório.

Tabela 8: incompatibilidade entre produtos químicos

 

Para eliminar de forma adequada os resíduos de laboratório, é necessário ter, pelo menos, algum conhecimento do tipo de produto ou subproduto a ser eliminado. A partir disto, sabendo algumas características químicas do resíduo, pode-se acondicioná-lo em recipientes adequados e descartá-lo de forma segura.
Os métodos de descarte variam conforme a característica de cada resíduo. por exemplo, ácidos e bases de alta toxicidade podem, em alguns casos, ser neutralizados, diluídos e descartados. Pode-se também, dentro das possibilidades, incinerar o material em incinerador com dois estágios de combustão. No caso de resíduos contendo metais
regeneráveis, estes devem ser recolhidos separadamente. Estas são algumas sugestões de métodos de descarte de resíduos, que podem ser usadas para Laboratórios de Ciências
de escolas de 1o e 2o graus. Estes métodos são apresentados de forma geral, sendo que, para cada tipo de resíduo, deve ser feito um estudo minuscioso por entidades e órgãos capacitados para isso. Jamais deve-se descartar um resíduo de laboratório sem antes ter certeza de estar utilizando um método seguro.
REGRA GERAL:


“ANTES DE USAR UM PRODUTO QUÍMICO,
SAIBA COMO DESTRUÍ-LO COM SEGURANÇA”

Como não existem ainda órgãos públicos responsáveis pelo recolhimento e destino final do lixo dos laboratórios escolares, recomenda-se seu armazenamento em bombonas
identificadas de acordo com a categoria de resíduo que contenham. Recomenda-se a separação dos resíduos de acordo com as seguintes classes de compostos:
a) Ácidos;
b) Bases;
c) Metais pesados (chumbo, mercúrio, estanho, etc.);
d) Solventes orgânicos (gasolina, querosene, éter, acetona, formol);
e) Sais oxidantes (permanganatos, dicromatos, cloratos e água de cloro ou clorofina);
f) Sais não oxidantes.
A classificação sugerida acima é uma simplificação de procedimentos de eliminação de resíduos químicos no laboratório. Apresentamos a seguir, como fonte de informação,
recomendações detalhadas apresentadas por manuais de segurança.

  • Classificação de recipientes

A) Solventes orgânicos e soluções de substâncias orgânicas que não contenham halogênios;
B) Solventes orgânicos e soluções orgânicas que contenham halogênios;
C) Resíduos sólidos de produtos químicos orgânicos são envasados de forma segura, em sacos, frascos de plástico ou barricas originais do fabricante;
D) Soluções salinas: neste recipiente deve-se manter o pH entre 6 e 8;
E) Resíduos inorgânicos tóxicos, como por exemplo sais de metais pesados e suas soluções. Descartar em frasco resistente a rompimento, fechado firmemente, com
identificação visível, clara e duradoura;
F) Compostos combustíveis tóxicos, em frascos resistentes ao rompimento com alta vedação e indicação claramente visível de seu conteúdo;
G) Mercúrio e resíduos de seus sais inorgânicos;
H) Resíduos de sais metálicos regeneráveis: cada metal deve recolher-se separadamente;
I ) Sólidos inorgânicos.

Segurança contra fogo

Quando se fala em segurança contra fogo, deve-se procurar métodos eficazes de prevenção e não apenas métodos de combate, pois previnir é tão importante quanto combater. Os trabalhos realizados em laboratório apresentam, em sua maioria, grande risco potencial de incêndio. Para poder
trabalhar com segurança é necessário, principalmente, ter organização, utilizar quantidades limitadas de materiais explosivos e líquidos inflamáveis, e fazer com precaução qualquer tipo de mistura entre diferentes substâncias químicas. Para um laboratório o melhor método de combate ao fogo é o extintor de gás carbônico, pois suas propriedades químicas permitem a sua aplicação em um grande número de diferentes tipos de incêndios. É um gás muito pouco reativo, não conduz corrente elétrica e não apresenta efeitos tóxicos. Deve-se apenas procurar não usá-lo por tempos prolongados
em ambientes muito fechados, pois pode provocar tonturas, desmaios ou até mesmo a morte, não por efeito tóxico, mas por asfixia.
Outros procedimentos de combate a incêndio, que podem ser muito úteis e de fácil aquisição, são as caixas de areia e cobertores de tecido não-sintético.

  • Química do fogo

O fogo ou combustão resulta de uma oxidação rápida. Conhecer as condições que determinam a ocorrência, ou não, da oxigenação de uma substância com desenvolvimento de calor e luz, é essencial para a compreensão dos princípios em que se baseiam os métodos de controle e extinção do fogo.
Convém recordarmos que existem dois tipos de reações químicas: Endotérmicas e Exotérmicas. Reações endotérmicas são aquelas que dão origem a uma substância com maior energia do que existe nos compostos reagentes, processando-se sem desprendimento de calor. As reações exotérmicas poduzem substâncias com menor energia do que existe nos
compostos reagentes e se processam com desprendimento de calor.
As reações oxidantes que ocorrem nos incêndios são exotérmicas. Para ocorrer uma reação oxidante devem estar presentes: o material combustível e o agente oxidante. O oxigênio é o elemento oxidante fundamental. A
oxidação de um material ocorre continuamente enquanto estiver presente um agente oxidante normalmente o ar (aproximadamente 1/5 de oxigênio e 4/5 de nitrogênio). Porém, à temperatura ambiente, a reação é tão lenta que não chega a ser perceptível. O “amarelamento” do papel e a ferrugem são exemplos de oxidação lenta. Em temperaturas mais altas como as que podem ser criadas pela chama de um palito de fósforo, a taxa de oxidação torna-se rápida, gerando grande quantidade de calor. Caso esse calor gerado seja suficiente para manter a reação após a remoção do palito de fósforo aceso, e caso apareçam chamas, diz-se que ocorreu a ignição. A combustão é a queima contínua após a ignição. Além do calor e do agente oxidante, mais um elemento determinará a ocorrência da ignição e combustão: o material
combustível. Este material poderá ser sólido, líquido ou gasoso, sendo que quando nos dois primeiros estados, deverão ser decompostos pelo calor em vapores que queimam com chama visível.
Resumindo, podemos dizer que são essenciais para ocorrência de uma combustão, 3 fatores:

(1) Agente Oxidante
(2) Fonte de Ignição
(3) Material Combustível
Para visualizar esquematicamente os 3 elementos essenciais da combustão, utiliza-se o clássico triângulo, formado pelos seus elementos componentes:"combustão"
A eliminação de um dos lados desse triângulo rompe a cadeia e impede a combustão. Resumindo, para que haja combustão:
a) o material combustível deve ser aquecido à sua temperatura de combustão;
b) a combustão continuará até que:
– o material combustível seja consumido
– a concentração do agente oxidante seja reduzida abaixo da concentração necessária para ativar a combustão
– o material combustível seja resfriado abaixo de sua temperatura de combustão.
Todos os métodos de prevenção, controle e extinção de incêndios baseiam-se em um desses princípios ou em suas combinações.
Convém registrar algumas definições importantes:
– Ponto de Fulgor: é a temperatura mínima na qual os corpos combustíveis começam a desprender vapores que se incendeiam em contato com uma fonte externa de calor; entretanto a chama não se mantém devido a insuficiência da quantidade de vapores.
– Ponto de Combustão: é a temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos corpos combustíveis ao contato com uma fonte externa de calor entram em combustão e continuam a queimar.
– Ponto de Ignição: é a temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos combustíveis entram em combustão apenas pelo contato com o oxigênio do ar independente de qualquer outra fonte de calor.

  • Princípios básicos da extinção de incêndios

Para se interromper um incêndio é necessário interromper a rápida reação oxidante que dá origem ao fogo. Podemos conseguir isto pelos seguintes métodos:
a) Resfriamento
b) Separação do agente oxidante do combustível
c) Diluição ou remoção do suprimento do combustível
d) Extinção química

Extinção por Resfriamento
É o meio mais empregado no caso de incêndio em materiais combustíveis comuns. Removendo-se o calor, baixase a taxa de evaporação, deixando a superfície do material inflamado de liberar vapores suficientes para manterem a combustão.
Extinção pela Separação ou Substituição do Agente Oxidante
A extinção pela separação do agente oxidante é efetuada mediante a aplicação de uma cobertura ou abafamento do foco do incêndio. Um exemplo deste princípio é a colocação de uma tampa em cima de uma panela com gordura inflamada, onde após consumir o oxigênio do seu interior, a chama se apaga.
Extinção pela Diluição ou Remoção do Suprimento de Combustível
Nas misturas de gases ou vapores com combustíveis, a taxa de propagação da chama depende da relação (proporção) entre o combustível e o ar, a temperatura e a pressão. Assim, quando a relação combustível-ar é alterada, altera-se também a taxa de propagação da chama. Um excesso de ar terá o efeito de diluir a concentração dos vapores de combustíveis. Por exemplo, a chama de uma vela será extinta pelo sopro, porque o jato de ar destrói o equilíbrio do suprimento do oxigênio do meio ambiente. A interrupção de um fluxo de gás inflamado ou esvaziamento por bombas de um tanque de combustível inflamado são exemplos da aplicação do princípio de remoção
de suprimento de combustível.
Extinção Química
A aplicação de agentes químicos promovem o resfriamento e a diluição pela ação de suas partículas que fracionam os vapores e absorvem seu calor. Porém outro fator ainda não bem determinado age nessa operação. Pesquisas
recentes corroboram a teoria de que uma reação química ocorre quando da aplicação do agente extintor. Essa, interfere na cadeia das reações oxidantes interrompendo-a e, conseqüentemente, também a combustão.

  • Classificação de incêndios

Informações, que têm sido gradativamente acumuladas através da experiência, permitem classificar os combustíveis em grupos, pelo comportamento similar durante a combustão, tornando possível a aplicação de técnicas comuns de extinção para cada grupo.
Classe A – fogo em materiais sólidos comuns que deixam resíduos ao queimar. Exemplos: Madeira, Papel, Tecidos, Lixo, Plásticos, Borracha. A extinção desta classe de fogo se obtém por Resfriamento: extintor de água, hidrante; ou por Ação Química: Extintor de pó químico ABC.
Classe B – fogo em líquidos inflamáveis, que queimam na superfície sem deixar resíduos. Exemplos: Gasolina, Graxas, Óleos. A extinção desta classe de fogo se obtém por Abafamento: extintor de CO2 e espuma; ou por Ação Química:
Extintor de pó químico. Os gases inflamáveis também são de Classe B. Extinguir com pó químico.
Classe C – fogo de natureza elétrica: Baixa Voltagem, Alta Tensão, Eletrônica. A extinção deve ser feita com agente extintor que não conduza eletricidade e nem danifique os equipamentos. Em equipamento eletrônico usar extintor de CO2. Em aparelhos comuns (110V, 220V, 380V) usar CO2, pó químico.
Classe D – fogo em metais combustíveis. Em alta tensão usar extintor de pó químico. A extinção se faz com pó químico de composição especial.
Agentes Extintores de Uso Atual
Os extintores de incêndio são aparelhos de fácil e rápida utilização. A finalidade dos extintores é dominar os princípios de incêndio. Na fase inicial a extinção do fogo é mais fácil, antes que haja a propagação de chamas e fumaça.

 

Manutenção dos Extintores

Extintores

Os extintores deverão ser mantidos carregados, em bom estado de conservação, bem visíveis e acessíveis. As cargas deverão ser renovadas nos prazos recomendados para cada tipo de extintor. Utilizar sempre cargas de qualidade controlada e alta eficiência, com selo ABNT. Para boa segurança, é obrigatório retestar os extintores a cada 5 anos, conforme exigências do Ministério do Trabalho e Cias. de Seguros. Revise e recarregue sempre que um extintor for utilizado, mesmo parcialmente, ou quando sofrer queda ou avaria. Extintor vazio é extintor inútil.

  • Evite incêndios

Tanto no laboratório como em sua casa, o melhor combate ao fogo é evitá-lo. Para tanto, recomendam-se algumas medidas preventivas contra incêndio:
a) Fogão a Gás
Ao sentir cheiro de gás, não acenda as luzes. Abra imediatamente todas as portas e janelas para ventilar o ambiente e procure o local do vazamento passando espuma de sabão. Nunca procure vazamentos com um fósforo.
b) Instalações Elétricas
Não sobrecarregue a rede elétrica com eletrodomésticos, revise-a periodicamente para mantê-la em perfeito estado.
c) Cigarro
Não jogue pontas de cigarro ou fósforos no assoalho, cestos de papéis, jardins ou pela janela. Evite fumar na cama antes de dormir.
d) Crianças
Crianças não devem brincar com fósforos, líquidos inflamáveis, velas ou outros objetos que possam provocar fogo.
e) Ferro Elétrico
Sempre desligue o ferro ao afastar-se do local onde estiver passando roupas.


f) Cargas Perigosas
Na cidade chame os Bombeiros e na estrada chame a Polícia Rodoviária. Não mexa no produto. Em caso de Incêndio, proceda assim:
• Ligue imediatamente para os Bombeiros – Telefone: 193
• Desligue a rede elétrica
• Se for possível, use o extintor de acordo com as instruções do fabricante
• Mantenha-se calmo, especialmente quando com outras pessoas, para evitar pânico
• Em edifícios, nunca use o elevador, as escadas são mais seguras
• Abandone rapidamente o local, para não dificultar o trabalho dos bombeiros
• Caso seja solicitado, não se omita, ajude no que for possível
• Ao ligar para o Corpo de Bombeiros preocupe-se em dizer o local do incêndio e o que está queimando, pois isso facilita muito as providências para o socorro.
ATENÇÃO:

Primeiros Socorros

Primeiros socorros são os atendimentos imediatos e rápidos ao acidentado até seu encaminhamento ao médico, em casos mais graves. Neste sentido, primeiros socorros são procedimentos de emergência. É necessário que sejam os mais corretos possíveis para evitar problemas futuros. É também
necessário que o laboratório disponha de uma farmácia de emergência.
No laboratório podem ocorrer, principalmente, vertigens, corpos estranhos e substâncias químicas nos olhos, queimaduras, cortes e envenenamentos. Vamos relacionar aqui alguns lembretes importântes para auxiliar nos procedimentos de primeiros socorros:
• Ter no laboratório um cobertor, para caso de fogo e proteção de feridos.
• Evitar, sempre que possível, tocar ferimentos com as mãos, peças de roupas ou qualquer outro material contaminado.
• Em caso de desmaio, deitar o indivíduo de costas, com a cabeça mais baixa que o corpo, fazendo-o respirar amoníaco ou vinagre.
• Em caso de sinais de desmaio sentar o indivíduo e curvar sua cabeça entre as pernas, fazendo-o respirar profundamente.
• Em caso de hemorragias, fazer compressão do ferimento com curativos esterilizados. Dependendo do local do ferimento, esta compressão poderá ser feito diretamente ou a uma certa distância do mesmo.
• Em caso de contato da pele com substâncias químicas promover uma lavagem abundante do local com água.
• Em caso de queimadurs por contato ou respingos, providenciar a lavagem da área com água fria, por um período de pelo menos 15 minutos, encaminhando em seguida o acidentado ao socorro médico mais próximo.
Para cada caso específico recomenda-se os procedimentos abaixo:
a) VERTIGENS: no estado de inconsciência, deve-se evitar aglomerações em torno do paciente, levá-lo para um lugar mais arejado e afrouxar sua roupa ao redor do pescoço. Deve-se deixá-lo sentado com a cabeça entre as pernas ou deitá-lo de costas com a cabeça mais baixa que o corpo. Não se deve ministrar nada por via oral, sendo recomendável induzir uma inalação de amoníaco ou vinagre. Quando o paciente voltar a si, dar um estimulante, como café ou chá, por exemplo.
b) CORPOS ESTRANHOS NOS OLHOS: com muito cuidado lavar os olhos abundantemente com água limpa e após manter a pálpebra fechada.
c) SUBSTÂNCIA QUÍMICA NOS OLHOS: lavar os olhos abundantemente com água limpa. Evite a utilização de substâncias neutralizantes de acidez ou basicidade, colírios anestésicos, entre outros.
d) QUEIMADURAS: a queimadura pelo calor deve ser lavada abundantemente com água fria por cerca de 15 minutos e após conforme a extenção, pode-se usar vaselina esterilizada para cobrir a região queimada. Se for por ácido ou base, deve-se lavar com água fria abundantemente até a eliminação da substância.
e) INGESTÃO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS: inicialmente deve-se dar de beber 1 ou 2 copos de água à pessoa acidentada. Se necessário provocar vômito pela estimulação mecânica da faringe ou pela ingestão de estimulantes químicos, como o xarope de ipeca. Jamais provocar vomito se a pessoa estiver desacordada, ou se ingerir substância corrosiva, cáustica ou solventes voláteis.

f) PRODUTOS QUÍMICOS EM CONTATO COM A PELE: deve-se promover a diluição e eliminação da substância agressiva, pela lavagem exaustiva com água. Evite a colocação de substâncias que podem ocasionar desenvolvimemto de reação química sobre a pele, como por exemplo, reações de neutralização.
g) CORTES: lavar abundantemente o local do ferimento com água. Não retirar fragmentos fixados no local do corte. Se necessário interrompa a perda de sangue (hemorragia) por elevação do membro ferido, seguido de
pressão próxima do ferimento. Evite fazer torniquete. Algumas recomendações e orientações gerais e/ou básicas para prestar primeiros socorros:
• Em presença de qualquer acidente, leve ou grave, NÃO PERDER A CALMA. Isto influi na maneira de pensar e agir. Demonstrar segurança, tanto no atendimento ao acidentado como na orientação dos presentes.
• Manter o ferido quieto, agasalhado e em posição confortável; afrouxar as roupas (colarinho, cinta, soutien).
• Afastar os espectadores, deixando o ambiente livre para a prestação do socorro e a remoção do acidentado.
• Obter a colaboração do grupo, dando para algumas pessoas atividades, tais como: providenciar a presença de um médico ou a vinda de uma ambulância, fornecendo neste caso o endereço correto, podendo, às vezes, ser solicitado
auxílio para o próprio cuidado do paciente.
• Evitar comentários dos presentes, principalmente se o paciente estiver consciente.

• Examinar o acidentado rápida e completamente, tomando providências como:
* em caso de hemorragia – procurar controlar o sangramento, através de curativo ou compressão manual;
* manter limpas as vias respiratórias, fazendo a limpeza da boca;
* quando necessário, aplicar a respiração artificial ou massagem cardíaca;
* não administrar líquidos nem medicamentos;
* movimentar o paciente o mínimo possível e, quando necessário, fazê-lo com cuidado;
* movimentar o fraturado só após a imobilização adequada;
* dexar o paciente com a cabeça voltada para o lado, evitando uma possível aspiração de vômitos.
Técnica de Aplicação da Respiração Artificial:
• Colocar o paciente em decúbito dorsal (deitado de costas).
• Levantar seu pescoço com uma das mãos e manter sua cabeça inclinada para trás.
• Manter a cabeça na posição adequada com a mão direita, e com a esquerda puxar o queixo da pessoa para baixo, de forma que a lingua não impeça a passagem de ar.
• Colocar a boca com firmeza sobre a boca do paciente, protegida por um pano limpo.
• Fechar as narinas do paciente, com o auxilio do plegar e do indicador.
• Insulflar ar para o interior da boca do acidentado, até notar que seu peito esteja elevado.
• Deixar o paciente expirar o ar livremente.
• Estes movimentos serão repetidos 15 vezes por minuto.
• Periodicamente, pressionar com delicadeza o estomago do paciente, evitando que se encha de ar.
• Quando dispuser do respirador artificial “AMBU”, este deverá ser utilizado por ser mais eficiente, podendo ser operado por uma pessoa por maior tempo.
Técnica de Massagem Cardíaca Externa:
• Colocar o paciente em decúbito dorsal sobre uma superfície firme.
• Manter a cabeça bem estendida para trás.
• Pressionar o peito do paciente sobre o externo (osso do peito) com as duas mãos espalmadas, uma sobre a outra, firmemente, cerca de 60 vezes por minuto.
• Massagem cardíaca se alterna com a respiração artificial, um movimento respiratório para cada quatro compressões cardíacas.
Para a prestação de primeiros socorros recomenda-se ter no laboratório, em local de fácil acesso e bem sinalizado, uma caixa ou armário contendo material necessário para atendimento de emergência, quais sejam:
• Uma cópia do folheto comunicando os procedimentos de primeiros socorros.
• Um número suficiente (não menor que 12) de pequenas bandagens esterilizadas para ferimentos nos dedos.
• Um número suficiente (não menor que 06) de bandagens esterilizadas de tamanho médio para ferimentos nas mãos e nos pés.
• Um número suficiente (não menor que 06) de bandagens esterilizadas de tamanho grande para outras partes lesadas.
• Um estoque suficiente de esparadrapo.
• Um estoque suficiente de rolos de algodão esterilizado em pacotes de 15 gramas.
• Um estoque suficiente de vaselina esterilizada.
• Um número suficiente (não menos do que 04) de compressas esterilizadas para os olhos em pacotes selados e separados.
• Uma bandagem de borracha ou bandagem de pressão.
• 1000 mL de soro fisiológico.

Equipamentos de Segurança

Os equipamentos de Proteção Individual (EPI) devem estar preferencialmente localizados no laboratório, e sua manutenção deve ser permanente. Constituiem-se EPI de larga utilização no laboratório:
• CAIXA COM AREIA = poderá ser uma caixa ou lata pequena que contenha areia peneirada para uso nos casos de derramamento de líquidos, ou mesmos de incêndio.
• CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS = deverá conter materiais adequados ao trabalho de cada laboratório para dar o primeiro atendimento, principalmente nos casos de pequenos cortes ou queimaduras.
• CHUVEIRO DE EMERGÊNCIA = deverá possuir um diâmetro de 20 a 30 cm, ser acionado com válvula de abertura rápida (alavanca pendente tipo triângulo), ter a vazão garantida por 15 minutos (não esquecer de testar
semanalmente para evitar emperramento)
• EXTINTOR DE INCÊNDIO = deverá haver pelo menos um extintor de incêndio em cada laboratório sendo que é importante ressaltar que cada tipo de extintor de incêndio destina-se a um tipo específico de fogo, outrossim é
necessário que haja um treinamento constante no manuseio destes, podendo-se para tanto usar o período da recarga anual obrigatório exigida por lei.
• GUARDA-PÓ = usar de preferência guarda-pó branco, tipo 3/4, manga longa, em algodão; evitar o uso de tecidos sintéticos devido a inflamabilidade destes.
• LAVA-OLHOS = deverá possuir um esguicho duplo em sentido transversal, e acionado por alavanca lateral (não esquecer de testar semanalmente para evitar emperramento).
• LUVAS DE AMIANTO = deverão ser utilizadas exclusivamente nos trabalhos com mufas.
• LUVAS DE BORRACHA = deverão ser utilizadas nos trabalhos com substâncias tóxicas e/ou corrosivas, na limpeza de material e/ou do próprio laboratório (não esquecer de descartar as luvas furadas para evitar possíveis
acidentes).

• MÁSCARA CONTRA GASES = deverá ser utilizada nos casos em que haja trabalho com substâncias voláteis tóxicas e/ou corrosivas, sem que possa ser utilizada a capela, sendo que o filtro utilizado deve ser adequado para a(s)
substância(s) com a qual esteja trabalhando – controlar o prazo de validade dos filtros, e uma vez aberto o lacre do filtro, o mesmo deverá ser guardado em dessecador, ao abrigo do ar.
• ÓCULOS DE SEGURANÇA = confeccionado em material resistente ao impacto, com abas laterais protetoras, de preferência utilizar quando estiver trabalhando com vácuo ou com reações que podem produzir projeções de material.
• PIPETADOR DE BORRACHA = poderá ser utilizado o modelo simples (uma só via) ou modelo com três vias, devendo ser utilizado nos casos de líquidos corrosivos, tóxicos e/ou irritantes (substâncias puras e/ou soluções) – para conservar o pipetador evitar de aspirar o líquido até o
bulbo do mesmo, ou seja atender os limites da escala da pipeta.
• PROTETOR FACIAL = confeccionado em material resistente ao impacto, este equipamento substitui os óculos de segurança devendo estar convenientemente adaptado ao rosto da pessoa que irá utilizar.

Aspectos Importantes a Considerar no Laboratório

Não há um modelo definido de laboratório. Esse pode apresentar-se das mais diversas formas. Cada professor irá planejar e realizar seu projeto de acordo com as atividades experimentais e dos recursos disponíveis. Ao projetar um laboratório, devemos primeiramente levar em consideração dois aspectos:
– a sala será construída especialmente;
– já existe uma sala que será adaptada para laboratório.
No primeiro caso, o professor, dentro das condições financeiras da escola, terá maior liberdade para projetá-la, levando em consideração o número de alunos por turma, seu tamanho, aberturas, iluminação, parte elétrica e hidráulica, etc. No segundo caso, a liberdade na oganização da sala é bem
menor. Será preciso adaptar-se às condições já existentes, aos interesses dos professores e da escola. Um terceiro aspecto altamente importante a considerar, neste projeto de construção do laboratório, é definir se a
utilização será exclusiva de uma disciplina ou compartilhada, podendo atender alunos da área de Ciências, Química, Física e Biologia.

  • Pisos, Paredes e Aberturas

O piso de cerâmica comum é o mais recomendável pelo baixo custo, facilidade na colocação e limpeza, segurança oferecida, ótima resistência e durabilidade. No entanto, há várias outras alternativas de piso como os de: granilite, madeira (tacos), borracha.
É de primordial importância que não haja desníveis ou elevações no piso, a fim de evitar tropeços e possíveis acidentes. Outro aspecto importante a considerar quanto ao piso, refere-se à sua constante manutenção e limpeza. Os reparos que se fizerem necessários devem ser feitos sempre o mais breve possível, mantendo-se sempre o bom estado do mesmo. Quanto às paredes internas do laboratório devemos observar aspectos como: facilidade de limpeza, durabilidade, aparência e custo. O mais recomendado é o revestimento com massa corrida pintada com latex fosco e de cor clara.
As janelas e portas devem ser amplas e distribuídas de tal forma que permitam uma boa iluminação e arejamento do laboratório.
Recomenda-se janelas basculantes por apresentarem maior segurança e por serem facilmente abertas e fechadas com um só comando de mão. Como medida de segurança as portas devem sempre abrir para o lado de fora e não devem ficar situadas frente a escadas. Recomenda-se por medida de segurança que o laboratório tenha mais de uma porta. Caso não seja possível as janelas devem favorecer a saída de emergência. Neste caso estas não devem ser obstruídas com armários, a fim de proporcionarem uma alternativa para saída de emergência.

  • Instalação de Gás, Água e Eletricidade

Gás

O gás poderá ser instalado de diferentes formas. A mais segura é a de um único botijão de gás, instalado fora do prédio, em uma caixa ventilada, porém fechada com cadeado e de preferência numa área inacessível a alunos, como meio de se obter maior segurança possível. A partir do botijão a instalação deve ser feita através de tubulação de cobre dirigida para os
locais onde se encontram os bicos de gás. Outra alternativa, muito usada nos laboratórios de nossas escolas, é o abastecimento de cada bico de gás com
botijão pequeno, tipo liquinho, individual para cada grupo de alunos, porém este procedimento é menos seguro que o anterior. Atualmente outra forma muito prática e econômica é o uso de liquinhos com fogareiros, no lugar do bico de gás. Neste caso teremos também botijões pequenos para cada grupo
de alunos. No entanto esta opção requer um maior cuidado, tendo-se sempre que utilizar mangueiras próprias para este fim e atenção para um possível vazamento de gás.

Água
Ao planejar-se a instalação de água para o laboratório recomenda-se a utilização de tubulação externa de plástico (padrão de segurança cor verde), que igualmente será dirigida para os locais previamente escolhidos para a localização das pias e tanques. Estas são indispensáveis para a realização de um grande número de atividades experimentais, bem como para a limpeza do equipamento a ser utilizado no laboratório. Sugerimos a construção de no mínimo duas pias e um tanque, em pontos não muito próximos um do outro, a fim de evitar o congestionamento de alunos durante uma determindada atividade experimental, em que a água se fizer necessária. As pias e tanques podem ser confeccionadas de aço inoxidável, de louça ou revestidas com azulejos.

  • Eletricidade

Os fios de eletricidade devem passar por uma tubulação externa, sendo igualmente dirigidos para as tomadas e interruptores de luz existentes no laboratório. Quanto às fontes de eletricidade, recomenda-se a instalação de tomadas de 110V e 220V sinalizadas com cores, diferentes, por exemplo amarela para 110V e laranja para 220V. Dependendo da distribuição das mesas no laboratório, as tomadas poderão ficar junto a essas mesas ou ao longo dos balcões laterais. É conveniente dispor de uma tomada para cada grupo. Caso isso seja inviável, convém localizar as tomadas em pontos opostos da sala, a fim de evitar a concentração de muitos alunos num mesmo local, durante os trabalhos práticos. A iluminação é condição fundamental para a realização de um bom trabalho, contribuindo para a segurança do
laboratório. É recomendável a utilização de lâmpadas do tipo fluorescente no lugar das lâmpadas incandescentes, pois essas não alteram a temperatura ambiente, pela liberação de calor. Além de fornecerem uma ótima iluminação, não cansam os olhos quando se está trabalhando em algo que requer um olhar fixo por um período mais longo de tempo.
O número e a distribuição das lâmpadas no laboratório irá depender do tamanho e formato da sala. Para obter-se uma boa iluminação recomenda-se que a cada 1,5 m seja posicionado um conjunto de duas lâmpadas fluorescentes. Ainda como forma de obter-se maior segurança no laboratório recomenda-se embutir na parede da sala uma caixa, com registros de água, gás e eletricidade. Esta caixa deve ficar em local de livre acesso ao professor, sinalizada adequadamente, assim como os registros e tubulações, conforme descrito na tabela 10.
Tabela 10: cores-padrão para tubulações em laboratório


Tipo                                                          Cor
Água:                                                        Verde
Ar:                                                              Azul
Gás:                                                           Amarelo
Vácuo:                                                    Cinza
Vapor:                                                     Vermelho

 

  • Mobiliário

Mesas e Cadeiras
Podem ser fixas ou móveis. Tanto uma como a outro apresentam vantagens e desvantagens. Num trabalho experimental os alunos se organizam em grupos, para tanto o mais conveniente são mesas e cadeiras (ou banquetas) soltas, possibilitando seu deslocamento. Essa flexibilidade trás inúmeras vantagens, pois conforme a atividade a ser realizada, há momentos que a disposição das mesas e cadeiras ficam mais funcionais se dispostas perto das
paredes, deixando o centro da sala livre, e noutros momentos sua distribuição por toda sala torna-se mais eficiente. Outra aspecto positivo de haver mesas e cadeiras móveis é a possibilidade de aumentar ou diminuir o número de alunos por grupo, tornando também mais fácil o arranjo dos
alunos em círculo no momento de uma discussão com toda a turma ou no caso de realizar um trabalho mais expositivo. No entanto, mesas e cadeiras fixas apresentam vantagens como: maior estabilidade e durabilidade, e acima de tudo, permitem instalação elétrica e de gás, permanente. Por outro lado, apresentam a desvantagem de não permitir seu deslocamento em ocasiões em que isso se faz necessário. A disposição dos móveis irá depender muito das dimensões e formato do laboratório. Podem ficar dispostos lateralmente ou arranjados uniformemente na sala. Esta organização dependerá também, em grande parte, da forma como se encontram distribuídos pela sala as fontes elétricas, de gás, luz e água. As mesas e cadeiras devem ser resistentes, firmes e fáceis de limpar. Recomenda-se para tanto seu revestimento com fórmica fosca, de cor clara. Mesa com prateleira abaixo do tampo são muito
práticas, pois permitem que o aluno guarde aquele material que não está sendo utilizado no momento, deixando desta forma a mesa o mais livre possível para a realização da atividade experimental.
Balcões
Os balcões são peças muito importantes num laboratório, pois podem servir para guardar o equipamento das aulas práticas, colocar materiais à disposição dos alunos, manter expostas montagens por um maior espaço de tempo, ou ainda para análises e pesquisas em geral. Os balcões podem ser de madeira, alvenaria ou aço. Qualquer que seja o tipo, irão apresentar vantagens e desvantagens. Os balcões de madeira são mais econômicos, porém podem ser facilmente atacados por reagentes químicos ou mesmo por cupins. Outro inconveniente é sua deformação em presença de umidade, muito comum num laboratório, vindo a empenar ou mesmo dificultar o movimento de gavetas e portas. Os balcões de alvenaria são bons para conter
equipamentos de vidraria. Para reagentes químicos não são recomendados devido a umidade que os mesmos normalmente apresentam. O tampo deste tipo de balcão pode ser recoberto com azulejos de cor branca, pintados com tinta plástica ou revestido com material emborrachado, sendo esta ao nosso ver a melhor opção, pois trás maior segurança, na medida que evita quebra
de equipamento de vidro, apresentando ainda uma boa resistência a ácidos e álcalis. Outra boa opção é o tampo de madeira revestido com fórmica fosca. A fórmica apresenta a vantagem de facilitar a limpeza, e ser muito resistente ao atacada de produtos químicos, além de evitar modificações, como ondulamentos da madeira. A desvantagem deste tipo de revestimento é a ação do calor, que provoca a soltura da lâmina de fórmica. No entanto, este inconveniente pode ser perfeitamente evitado cuidando-se para não colocar sobre ela aparelhos ou equipamentos que irradiem calor.Finalmente, os balcões de aço inoxidável, são muito caros, entretanto apresentam vantagens como: maior resistência, facilidade na limpeza e ótima aparência. Para maior funcionalidade, desse tipo de balcão e como forma de evitar a quebra fácil de materiais de vidro e a reflexão da luz, recomenda-se revestir seu tampo com trilhos de borracha, facilmente encontrado no comércio.
Recomenda-se colocar portas de correr nos balcões, a fim de economizar espaço no laboratório. Outro aspecto a considerar é a existência, no interior dos balcões, de prateleiras móveis, isto é, reguláveis de acordo com o tamanho do equipamento a ser utilizado. Torna-se prático também planejar
gavetas, de diversos tamanhos, junto aos balcões.

Armários
Dependendo das condições físicas do laboratório, financeiras da escola e mesmo do tipo de equipamento que se tem para guardar, os armários poderão ser dos mais variados tipos e dimensões. Dentre os mais seguros, duráveis e práticos tem-se os armários de aço inoxidável, com prateleiras reguláveis. No entanto, armários de madeira, com portas de correr e prateleiras móveis, revestidas com fórmica são também muito práticos e úteis. Substâncias químicas de risco (venenosas) devem ficar em um armário isolado e fechado à chave. Para uma maior segurança recomenda-se ainda afastar os reagentes sólidos dos líquidos voláteis e ácidos. De preferência, devem ser colocados nas prateleiras mais baixas como medida de maior segurança. É importante também que os armários apresentem aberturas para uma boa ventilação e acima de tudo que suas prateleiras tenham calços de segurança, devido ao peso dos frascos de reagentes. Esse tipo de armário deve receber limpeza e revisão periódicas, a fim de se manter um bom controle das substâncias químicas aí contidas.
Quanto à localização, o ideal é ter os armários em uma sala própria (almoxarifado) anexa ao laboratório, pois oferece maior isolamento e segurança do material. No entanto, nossa realidade é outra. Dificilmente encontramos à nossa disposição um almoxarifado. Neste caso os armários ficarão distribuídos pela sala do laboratório, da forma mais prática, fechados a chave, a fim de se evitar a perda de material.
Quadro Verde e Mural
Estes deverão ser amplos e ficar numa posição que sejafacilmente visível por todos os alunos. O ideal é que a própria parede do laboratório sirva de quadro verde. O quadro mural pode ser confeccionado com isopor ou qualquer outro material que permita afixar as comunicações com auxílio de alfinete ou percevejo.

 

  • Capelas

A capela é um elemento importante em laboratórios que lidam com substâncias tóxicas ou substâncias que através de reações químicas liberam vapores tóxicos. Portanto, sua construção contribui para uma maior segurança. No entanto, não é considerado um elemento indispensável, podendo ser substituída por outras medidas de segurança, como a de procurar manter o melhor arejamento possível quando se estiver trabalhando com substâncias que liberam vapores ou gases tóxicos. Entretanto, sendo viável, recomenda-se sua construção e uso no laboratório.
As capelas podem ser de vários tipos. Seu tamanho, formato, material e localização irá depender da sua maior ou menor necessidade de uso.
Os materiais mais usados na sua construção são: chapas de aço inoxidável ou alvenaria. As capelas de alvenaria, normalmente tem um revestimento interno de azulejos. Geralmente este tipo de capela encontra-se embutida na própria parede do laboratório. A janela frontal da capela deve ser de vidro móvel, laminado ou temperado, tipo de correr, no sentido vertical, a fim de permitir a visualização de seu interior. Seu revestimento interno poderá ser com fórmica, tinta plástica ou com azulejos. O teto da capela deve ser em forma de pirâmide ou de cone. No seu vértice deve estar localizado o exaustor, que irá lançar para fora do laboratório os vapores aí formados,
devendo ser filtrados antes de serem eliminados ao exterior, para evitar a poluição da atmosfera. Esta saída deve ficar afastada de locais onde se encontre fluxo de pessoas. É importante também que o exaustor seja projetado conforme tiragem da capela. Recomenda-se ter no interior da capela uma fonte de gás, eletricidade e água, pois há trabalhos que necessitam, por exemplo, de aquecimento de substâncias, condensação de
vapores ou agitação mecânica. Se no interior da capela existirem lâmpadas, estas devem ser protegidas por luminárias impermeáveis, inquebráveis e resistentes ao calor. Reações químicas que liberem vapores ou gases tóxicos, devem ser processadas sempre que possível com a janela da capela fechada e o exaustor em funcionamento. A parte inferior da capela pode ser aproveitada como armário. Todo o tipo de tomadas e interruptor da capela devem estar localizadas em sua parte externa. A construção de uma capela implica em trabalhos com produção de materiais tóxicos. Antes de construí-las pense bem se não há possibilidade de alteração ou mesmo substituição das experiências que utilizam produtos tóxicos.

Referência

 

Universidade Federal do Rio Grande do Sul  Instituto de Química

Área de Educação Química

José Claudio Del Pino e Verno Krüger

Rômulo Fonseca e José Ricardo  estudantes do curso de Licenciatura em Química

Universidade Federal de Campina Grande – UFCG

Centro de Educação e Saúde – CES localizado na cidade de Cuité-PB.